A afirmação é do neurologista e coordenador do Serviço de Neurologia do Hospital Santa Rita, Guilherme Coutinho, que ainda acrescenta que a prática de atividade física regular, especialmente exercícios aeróbicos e de coordenação motora, ainda estimula a cognição

A doença de Parkinson é uma das doenças do cérebro mais comuns no mundo, atingindo principalmente pessoas com mais de 60 anos. Ela causa problemas de movimento e outras dificuldades que afetam a qualidade de vida. Segundo Guilherme Coutinho, neurologista e coordenador do Serviço de Neurologia do Hospital Santa Rita, o Parkinson acontece porque neurônios (células do cérebro) que produzem uma substância chamada dopamina morrem. A dopamina é essencial para o controle dos movimentos e, sem ela, os movimentos ficam comprometidos.
Os sintomas precursores da doença podem anteceder os sinais motores clássicos por anos. Entre eles, destacam-se os distúrbios do sono REM (com comportamentos violentos durante o sono), constipação crônica, redução do olfato e depressão. Já os sintomas motores iniciais incluem a lentidão dos movimentos (bradicinesia) , a rigidez muscular, o tremor em repouso e a instabilidade postural.
O neurologista enfatiza que o diagnóstico muitas vezes aparece de maneira tardia, especialmente, porque os sintomas iniciais são inespecíficos e podem ser atribuídos a envelhecimentos ou outras condições clínicas. “Além disso, a manifestação clínica ocorre, geralmente, após perda superior a 60% dos neurônios dopaminérgicos da substância negra, o que significa que alterações neurodegenerativas já estão avançadas no momento do diagnóstico clínico”, explicou o médico.
Fatores
“Vários fatores podem contribuir para o surgimento da doença. A forma espontânea e sem causa aparente representa a maioria dos casos. No entanto, há contribuições tanto genéticas quanto ambientais”, disse o neurologista do Hospital Santa Rita.
Em relação ao caso do artista performático Morten Harket, o impacto do diagnóstico da doença pode ser profundo, especialmente em função dos comprometimentos motores e não motores da doença. “O comprometimento da coordenação pode afetar a execução instrumental (violão e guitarra). A rigidez e a lentidão limitam movimentos fluidos e espontâneos no palco. Além disso, pode haver redução da projeção e clareza vocal, impactando diretamente o canto”, disse o neurologista.
Guilherme Coutinho ressalta ainda que a depressão e a apatia podem influenciar na criatividade e disposição para fazer as apresentações no palco. “É claro que precisamos considerar, também, os efeitos psicossociais. Há um estigma em relação à doença. Há uma ansiedade sobre o futuro e a possibilidade de declínio progressivo pode interferir profundamente na autoimagem e nas relações interpessoais e profissionais de qualquer paciente com Parkinson”, considera.
Atividade física
Embora não haja método garantido de prevenção, algumas abordagens parecem ter efeito neuroprotetor ou modificador de risco. “A prática de atividade física regular, especialmente exercícios aeróbicos e de coordenação motora, demonstram retardar o surgimento de sintomas. Além de estimular a cognição”, acrescenta o médico.
“Quando nos deparamos com sintomas que sugerem que o paciente tenha a doença – sobretudo tremor de repouso, rigidez, lentidão motora – começamos a avaliar se ele se enquadra em alguns critérios. A intervenção precoce ajuda a melhorar o prognóstico funcional e permite planejamento terapêutico adequado”, explicou o especialista. Ele acrescenta que os tratamentos incluem fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, ajustes medicamentosos e eventual neuromodulação em casos refratários.


